A tradição judaica reserva espaço considerável para a relação do homem com o tempo. Esta relação pode ser medida pela fase da vida em que vivemos, infância, juventude, velhice. Cada fase deve ser respeitada e bem vivida. É quando o tempo está dentro de nós.
Também pode ser medida pelos tempos da história, se dias de guerra ou paz, de escassez ou prosperidade, de ideais ou alienação. É quando o tempo está fora de nós.
Para ajudar no discernimento de cada fase, resolvemos marcar o tempo em forma de horas, dias e anos.
Final de ano é tempo de afirmação de que uma fase acabou e outra está começando. Pode ser que nada mude em nossas circunstâncias. Mesma casa, mesmas pessoas, mesma vida.
Mas quando tantos espíritos se movem numa mesma direção, quando tanta gente se mobiliza em mudar a página, é bem possível que alguma coisa mude, que algo novo aconteça. Pelo menos é bem possível que alguma decisão que costumamos tomar em dias assim se torne uma ação, depois um hábito, uma rotina, enfim um novo tempo em nossa vida.
Ter essa esperança já faz bem ao espírito. Está aberta a temporada de abandonar o passado e acreditar que o futuro pode ser o primeiro dia do restante de nossas vidas.
©2009 Alexandre Robles
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